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É preciso valorizar o vice do FC Cascavel

Luciano Neves

Comemoração do golaço de Willian. Foto Luciano Neves / GP

Por mais de quatro décadas, o gol do goleiro Zico foi lembrado como o grande acontecimento do futebol de Cascavel. O reconhecimento é justo, afinal de conta, Zico ajudou o extinto Cascavel Esporte Clube a faturar o título estadual de 1980. Passados 41 anos, a Capital do Oeste voltou a ter um representante na decisão do Estadual. O FC Cascavel ficou com o vice-campeonato ao ser superado pelo Londrina nos pênaltis (6 a 5), após empate em 1 a 1, no Estádio Olímpico Regional.

Os feitos da Serpente Aurinegra não reduzem em nada os méritos do Cascavel Esporte Clube, mas contribuem, e muito, para a história do futebol de Cascavel. Será que o golaço de falta de Willian, no fim da primeira etapa, não é digno de ser lembrado como um feito heroico? Foi esse gol que fez o torcedor sentir, de maneira efêmera, o sabor de ser campeão estadual. Zico fez ‘barba, cabelo e bigode’ em 1980. Será que o goleiro Ricardo também não merecia reconhecimento semelhante? No momento mais dramático da disputa, a decisão por pênaltis, o arqueiro assumiu o protagonismo. Teve o seu momento de glória ao converter a última penalidade e defender a cobrança de Salatiel. Ou seja, foi o responsável por manter vivo o sonho do título. Se a taça tivesse ficado nas mãos do FC Cascavel, Ricardo teria o seu nome eternizado na história.

A narrativa do futebol adora criar heróis e vilões. Será que William Simões foi tão vilão assim ao desperdiçar um pênalti? É bom lembrar que esta foi a segunda passagem pelo clube e o lateral-esquerdo foi um dos mais regulares jogadores em toda a temporada. Não merece ser sacrificado por um pênalti perdido. E Carlinhos, garoto da base? Tem muito chão pela frente, mas quando foi requisitado, deu conta do recado. É lateral-esquerdo, mas jogou improvisado na lateral-direita no jogo de volta da semifinal contra o Athletico-PR. É bom lembrar que o primeiro gol do FC Cascavel nesta temporada saiu dos pés de Carlinhos e garantiu a vitória por 1 a 0 sobre o Azuriz. Foi o ponto de partida de uma campanha que recolocou um time de Cascavel numa decisão estadual mais uma vez.

O elenco que quase foi campeão estadual. Foto Felipe FachiniO elenco que quase foi campeão estadual. Foto Felipe Fachini

Após a perda do título, o técnico Tcheco fez um desabafo e usou um tom de despedida nas suas redes sociais. Se ele, de fato, trocar o FC Cascavel por um clube de maior expressão, será o reconhecimento do trabalho desenvolvido por aqui. O treinador, aliás, preferiu enaltecer a campanha do time. Afinal de contas, o FC Cascavel terminou o Campeonato Paranaense de maneira invicta com oito vitórias e nove empates em 17 jogos. Venceu mais que o Londrina, que foi o campeão. “Infelizmente, a gente está numa cultura de não valorizar o que foi feito, numa questão de ficar com a segunda posição. Não estou dizendo que estamos satisfeitos com isso. Muito pelo contrário. Estávamos com a mentalidade de ser campeões e foi um trabalho bem consolidado até este jogo. O clube planeja a se tornar um dos grandes do Estado. E creio que ele já é por ter chegado a esta final. Talvez uma estrela iria carimbar esse respeito maior ainda. Infelizmente não veio, mas o clube está no caminho certo”, disse o treinador.

Além de ter sido vice-campeão de maneira invicta, o FC Cascavel teve excelentes números ao longo da temporada. Ao todo foram 35 jogos oficiais com 16 vitórias, 16 empates e apenas três derrotas, um aproveitamento de 60,9%. Além da disputa do Estadual, também esteve na Série D do Brasileiro e disputou pela primeira vez a Copa do Brasil. O time terá um calendário robusto em 2022 com estas mesmas três competições.

Como disse Tcheco, fica a frustração pela perda daquele que seria um título inédito. Mas esse gosto amargo pode ser convertido pelo desejo de vitória. Uma coisa é certa: Cascavel não terá que esperar mais quatro décadas para ver uma equipe novamente numa decisão do Campeonato Paranaense. A estatística fria pode até mostrar que a conquista mais importante do clube ainda seja a Divisão de Acesso, em 2014. No entanto, no contexto histórico, ser vice-campeão da elite estadual de maneira invicta, com uma derrota nos pênaltis, faz com que esta conquista seja, sem dúvida, a mais importante. E faz acreditar que o FC Cascavel pode buscar algo muito maior num curto espaço de tempo. Que isso é possível ser campeão. E tornou a Serpente Aurinegra ainda mais venenosa nas próximas temporadas.

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